Tudo bem. Sabemos que os dias parecem estar cada vez mais curtos e as horas passam mais depressa. Sabemos que o trabalho consome grande parte do seu tempo e que o tempo que lhe sobra é pouco.
Na verdade, tudo depende de como planejamos as nossas tarefas diárias e muita força de vontade. Devemos dividir as horas para cada tarefa, incluindo lazer, saúde e compromissos. É importante ter consciência da necessidade de se praticar uma vida saudável, por meio de atividades físicas, entretenimentos e alimentação saudável.
Ser sedentário não vai lhe trazer nenhum benefício, muito pelo contrário, baixa a qualidade de vida e pode ocasionar doenças muito sérias. Se você acha que é um sedentário, ou, de repente o trabalho que exerce não o faz entrar nesse nicho, tentaremos esclarecer algumas dúvidas sobre o tema. Depois disso, deixe a preguiça de lado, recalcule os horários e pratique uma vida saudável.
O sedentarismo é a falta ou a grande diminuição da atividade física. Esse conceito não é associado necessariamente à falta de práticas esportivas. Do ponto de vista da Medicina Moderna, o sedentário é o indivíduo que gasta poucas calorias por semana com atividades ocupacionais. Ou seja, se o trabalho que exerce for “puxado”, o indivíduo não necessariamente se encaixa nessa definição.
O consumo de calorias semanais pode definir se o indivíduo é sedentário ou não. Para deixar de fazer parte do grupo dos sedentários a pessoa precisa gastar no mínimo duas mil e duzentas calorias, em média, por semana em atividades físicas.
A vida sedentária complica no funcionamento adequado do organismo. O aparelho locomotor e os demais órgãos e sistemas solicitados durante qualquer atividade, principalmente as que exigem maior esforço, entram em um processo de regressão funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos, um fenômeno associado à atrofia das fibras musculares, à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional de vários órgãos.
Hipertensão arterial, diabetes, obesidade, ansiedade, aumento do colesterol, infarto do miocárdio são alguns dos exemplos das doenças às quais o indivíduo sedentário se expõe. O sedentarismo é considerado o principal fator de risco para a morte súbita, estando na maioria das vezes associado direta ou indiretamente às causas ou ao agravamento da grande maioria das doenças.
Mas afinal, como deixar de ser sedentário? Essa é a pergunta que você deve estar se fazendo. Para atingir o mínimo de atividade física semanal, existem várias opções que podem ser adotadas de acordo com as possibilidades ou disponibilidade de cada um.
A pratica de atividades esportivas como andar, correr, pedalar, nadar, fazer ginástica, exercícios com pesos ou jogar bola é uma proposta válida para evitar o sedentarismo e importante para melhorar a qualidade de vida.
Os especialistas recomendam a realização de exercícios físicos de intensidade moderada durante 40 a 60 minutos de três a cinco vezes por semana. Esses exercícios ou atividades físicas devem ser necessários à vida conscientemente.
Como já foi dito, as atividades diárias ocupam grande parte do nosso tempo. A modernidade, junto à tecnologia, induz as pessoas a gastar menos energia. Grande parte do dia, a automação e as possibilidades de realizar diferentes tarefas diante de um computador forçam o indivíduo a se “entregar” ao sedentarismo.
Diante disso, tornar-se ativo pode ser uma tarefa mais difícil, porém não de todo impossível. As alternativas disponíveis muitas vezes estão ao alcance do cidadão, porém passam despercebidas.
Mudanças simples podem auxiliá-lo no consumo de calorias. Subir escadas ao invés de utilizar somente o elevador, levantar para usar o telefone ou mudar o CD do aparelho de som, farão com que você não fique parado.
Especialistas defendem que a prática diária de 30 minutos de atividade física é suficiente para prevenção de doenças e melhora na qualidade de vida.
Antes de iniciar qualquer atividade física, é necessária uma consulta ao médico para avaliações clínicas. Recomenda-se seguir a ética do bom senso e praticar exercícios como um hábito de vida. Os exercícios devem ser prazerosos, não exaustivos ou forçados, propiciar bem-estar antes, durante e principalmente depois da atividade física. Qualquer desconforto sentido durante ou depois de exercícios deve ser adequadamente avaliado por um profissional da especialidade.
Use roupas adequadas, leves. Hidrate-se adequadamente. Qualquer dúvida ou desconforto procure orientação profissional. Realizar uma avaliação física para elaboração de um programa de treinamento será uma atitude de grande utilidade prática.
O colesterol elevado no sangue é um dos principais responsáveis pela aterosclerose coronária – a doença que cria obstruções ou entupimentos que atrapalham o fluxo sanguíneo nas artérias – a qual é atualmente considerada a principal causa de morte nos seres humanos em todo o mundo, por provocar a angina do peito e o infarto do miocárdio, entre outros problemas cardiovasculares.
A associação do colesterol com um ou mais dos outros fatores de risco cardiovascular – pressão alta, diabetes, obesidade, tabagismo, tensão emocional e vida sedentária – aumenta consideravelmente a possibilidade de um individuo desenvolver a doença e apresentar eventos coronários quando adulto sobretudo a partir da quarta ou quinta década de vida, em especial, se houver um histórico familiar precoce da doença, sendo o componente genético, mais um forte preditor de risco.
O colesterol é um inimigo silencioso, pois na grande maioria das pessoas que apresentam os seus níveis elevados, não há manifestação de sintomas, estando nesse fato a importância de se fazer exames de sangue periodicamente para dosar o perfil lipídico – níveis de colesterol total e frações e triglicérides – e receber orientações médicas de como controlar os níveis elevados. Veja os valores normais na tabela abaixo.
A princípio todo homem adulto, pelo menos uma vez a cada cinco anos, deveria medir os seus níveis de colesterol. No caso das mulheres, todas aquelas que já passaram pela menopausa e as que fumam ou tem pressão alta. As crianças, principalmente as que têm forte histórico familiar de colesterol elevado e de doença coronária precoce – pai que teve infarto entre 45 e 55 anos ou mãe entre 55 e 65 anos – também devem ser avaliadas. Estima-se que na população adulta brasileira 13% tenham colesterol elevado e 27%, limítrofe, um preocupante problema de saúde pública.
Uma vez estabelecido o diagnóstico de colesterol elevado no sangue, a orientação médica deverá ser iniciada através do incentivo no estabelecimento de uma dieta pobre em gordura de origem animal, levando-se em consideração que apenas 30% do colesterol é adquirido pela alimentação e que o restante é fabricado em nosso fígado, pois o colesterol também é necessário e fundamental para diversos processos orgânicos. Devemos ressaltar que a dieta é indispensável ao tratamento, porém apresentando uma capacidade que se limita a cerca de 10% de redução dos níveis de colesterol total.
A importância na adoção de mudanças de estilo de vida é fundamental, deve-se adquirir um novo hábito alimentar, abandonar o cigarro e iniciar atividade física regular e nos casos onde não se conseguir a queda significativa nos níveis de colesterol, a orientação médica com remédios deverá ser iniciada e seguida por tempo indefinido e sem interrupção do tratamento, visando atingir as metas terapêuticas e a sua manutenção de forma permanente.
Dentre os medicamentos disponíveis, as estatinas são os de primeira escolha para reduzir o colesterol em adultos, agem pela inibição da enzima precursora do colesterol, induzindo baixa nos estoques do fígado e retirando o excesso de colesterol do sangue. As resinas de troca, como a colestiramina, são as drogas de escolha para as crianças, podendo também ser associadas às estatinas. Ezetimibe, um inibidor da absorção intestinal do colesterol se apresenta como excelente fármaco coadjuvante. Assim, diversos estudos de intervenção terapêutica com fármacos, modificações do estilo de vida ou medidas alternativas, vêm demonstrando, nos últimos anos, que, através da correção do perfil lipídico, é possível alterar a evolução das placas ateroscleróticas das coronárias, diminuindo a mortalidade delas decorrentes.
Entretanto, em centros médicos de diferentes países, inclusive no Brasil, somente um terço dos pacientes com manifestações de doença coronária está orientado em relação ao tratamento do colesterol. Esse fato pode ser atribuído às dificuldades no diagnóstico, à falta de treinamento e de informação, ao desconhecimento da necessidade de se manter o tratamento indefinidamente, à hipótese de que a sobrevivência após um infarto do miocárdio não pode ser modificada pela correção dos distúrbios lipídicos, ainda, ao mito de que a diminuição do colesterol sanguíneo poderia levar a riscos e também ao custo da terapia.
É imperioso que esse panorama seja modificado e todos os nossos esforços devem ser intensificados no combate ao colesterol e aos fatores de risco cardiovascular, estendendo a toda população os benefícios já comprovados cientificamente, e mesmo frente aos sacrifícios impostos, através de rígidas dietas e do uso contínuo das medicações disponíveis, devemos considerar que esses esforços são ainda pequenos perante a violência com que a doença arterial coronária vem submetendo milhões de pessoas em todo o mundo.
Valores referenciais para adultos maiores de 20 anos.
|
Valores (mg/dL) |
Categoria |
Colesterol Total |
< 200 |
Ótimo |
|
200 – 239 |
Limítrofe |
|
> ou = 240 |
Alto |
LDL-colesterol |
< 100 |
Ótimo |
|
100 – 129 |
Desejável |
|
130 – 159 |
Limítrofe |
|
160 – 189 |
Alto |
|
> ou = 190 |
Muito Alto |
HDL-colesterol |
< 40 |
Baixo |
|
>60 |
Ótimo |
Triglicerídes |
<150 |
Ótimo |
|
150 – 200 |
Limítrofe |
|
200 – 499 |
Alto |
|
> ou = 500 |
Muito Alto |
Hermes Toros Xavier
Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo
Orientações para pacientes com Hipertensão Arterial
A pressão arterial é força que o sangue exerce sobre a parede das artérias. Quanto mais alta a pressão, maior é o desgaste produzido e, ao longo do tempo, alterações estruturais e funcionais das paredes arteriais irão ocorrer, levando ao estreitamento dos vasos, reduzindo gradual e progressivamente o fluxo de sangue aos órgãos. A hipertensão arterial se origina por diversos fatores, mas basicamente se relaciona com predisposição genética e estilo de vida pouco saudável.
É muito importante que você siga as orientações do seu médico, junto com ele você deverá organizar um programa para manter a sua pressão arterial sob controle. Neste plano você deverá:
# Reduzir o peso através de uma dieta saudável
# Diminuir o consumo de sal na comida
# Caso consuma álcool, faça-o moderadamente
# Abandonar o cigarro para prevenir maiores complicações
# Praticar atividades físicas, se possível, diariamente
# Conviver melhor com situações de estresse emocional
# Tomar os medicamentos receitados regularmente
Não, a hipertensão não tem cura e só tratamento. Assim, você deve entender que provavelmente será hipertenso por toda a sua vida, mas que adotando um plano de vida mais saudável, seguindo as orientações do seu médico e se mantendo fiel aos medicamentos indicados, poderá manter a pressão arterial sob controle e levar uma vida produtiva e de qualidade. É fundamental que você procure o seu médico para consultas regulares.
A medicação prescrita pelo médico pode garantir a manutenção de um nível adequado e estável da sua pressão arterial, proporcionando uma melhor qualidade de vida e a redução do risco de problemas cardiovasculares. Porém, é importante não esquecer:
# Os medicamentos devem ser tomados diariamente, caso contrário não irão controlar a pressão
# Embora você não sinta os efeitos, os medicamentos estão atuando em seu benefício
# Pergunte ao seu médico qual é o melhor horário para tomar os medicamentos e de pronto estabeleça-o como hábito diário
# Não se esqueça que o uso regular dos medicamentos é a forma mais efetiva de prevenir as graves complicações da hipertensão arterial